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Set

Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola, 2026

Contexto

A gravidez na adolescência permanece um desafio relevante para a saúde pública em Angola, com implicações directas na mortalidade materna, escolaridade, inserção laboral e ciclo intergeracional de pobreza. O objectivo deste estudo é fazer uma análise mais profunda sobre a fecundidade na adolescência, destacando a magnitude do fenómeno e os seus determinantes, com base em modelos de regressão logística estimados a partir dos dados dos Inquéritos de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) de 2015–2016 e 2023–2024.

Principais Resultados

• A prevalência da gravidez na adolescência apresentou redução nos últimos anos, passando de 34,5% em 2015/2016 para 27,1% em 2023/2024, embora permaneça acima da média da África Subsaariana, estimada em 18%.

• Em ambos os inquéritos, as adolescentes que já haviam engravidado eram maioritariamente residentes em áreas rurais, tinham baixo nível de escolaridade e pertenciam a agregados familiares com menor nível de riqueza.

• A fecundidade na adolescência permanece elevada, com variações expressivas entre províncias e dentro delas. No período em análise, mais de metade das adolescentes de 15 a 19 anos na província do Cuanza Sul já havia engravidado (51,4%), proporção 3,6 vezes superior à observada em Luanda (13,9%), capital do país.

• A prevalência entre adolescentes residentes em áreas rurais (42,5%) foi mais do que o dobro da verificada nas áreas urbanas (20,0%). • Observou-se ainda uma redução substancial na proporção de adolescentes que iniciaram a vida sexual ou engravidaram antes dos 15 anos. No entanto, a participação das adolescentes nas decisões relativas ao uso de métodos contraceptivos continua limitada, e a prevalência de utilização desses métodos permanece baixa. Além disso, a maioria das adolescentes declarou desejo de ter três ou mais filhos, reflectindo a persistência de normas culturais que valorizam famílias numerosas.

• Entre 2015–2016, os principais factores associados à gravidez na adolescência foram o baixo nível de escolaridade, a baixa condição socioeconómica, o início precoce da vida sexual e o não e a não utilização de serviços de planeamento familiar. Já no período de 2023–2024, apenas a baixa condição socioeconómica e a não utilização de serviços de planeamento familiar permaneceram significativamente associados à ocorrência de gravidez na adolescência, evidenciando a persistência das desigualdades económicas e das barreiras ao acesso e utilização de serviços de saúde reprodutiva.

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Pode avaliar o Inquérito Nacional de Satisfação dos Utilizadores dos Produtos Estatísticos do INE